| Educação Ambiental e Planejamento Metropolitano
O Estado de São Paulo é formado basicamente por dois ecossistemas: mata atlântica e cerrado. São regiões ricas, mas infelizmente ameaçadas. De 1962 a 1990-92, a perda de vegetação foi alarmante, mais de 55%.
As regiões litorâneas têm um papel fundamental na preservação do meio ambiente, pois possuem em torno de 60% de "mata natural", e também abrigam a Mata Atlântica e os manguezais, áreas de proteção ambiental. Diante deste quadro, fica claro porque um dos maiores problemas da Baixada Santista é a ocupação irregular dessas áreas e a falta de redes de coleta de esgoto, que deve ser melhorada com os investimentos prometidos pelo Estado a partir de 2008.
No entanto, faltam dois aspectos: educação ambiental e gestão ambiental integrada na Região Metropolitana. Embora exista na legislação, Lei nº 9795/99 que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental ainda não é observada na maioria das escolas. A conscientização, o respeito e os cuidados que devem ser tomados por todos nós, devem ser inseridos no ensino formal. Atualmente, os programas ambientais restringem-se em maioria as atividades desenvolvidas pelas Secretarias de Meio-Ambiente, quando deveriam fazer parte do dia a dia da criança e do jovem na escola. Afinal, investir na criança é semear para colher bons frutos, ação muito mais eficaz e econômica do que somente coibir e fiscalizar.
Além disso, infelizmente, o planejamento e a gestão ambiental dos municípios da Região Metropolitana foram desenvolvidos isoladamente, apesar de pertencerem à mesma bacia hidrográfica e de terem fauna e flora semelhantes. Precisamos reverter esse quadro, apostar em ações integradas, levando em conta uma ampla discussão com os vários setores da sociedade. E, fundamentalmente, entender que o desenvolvimento sustentável implica em aceitar a dinâmica inter-relação entre as atividades do Homem e o Ambiente.
Ou seja, aceitar que em nossa região existem atividades industriais, portuárias (o maior Porto da América Latina), ferrovias, a exploração da bacia de gás e o aeroporto que virão, em breve, sendo necessidades que complementarão a infra-estrutura para o crescimento urbano e econômico das próximas décadas. Isso só não pode ocorrer sem o devido debate com a sociedade e sem planejamento, como foi no passado, pois as gerações futuras dependem disso para sobreviverem.
*Haifa Madi é deputada
estadual e coordenadora do PDT no litoral paulista
e-mail: haifamadi@al.sp.gov.br
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