| Temos
que acabar com o preconceito velado
Ainda não
somos o país que queremos aparentar ser
em relação a uma verdadeira democracia
étnica, onde não existe o preconceito
de raça ou de religião. É
claro que, felizmente, não ocorrem ataques
físicos em massa nem beiramos a xenofobia
de outros povos que se acreditam superiores, mas
temos sim, em nosso Brasil, um tipo de preconceito
racial, que a sociedade faz questão de
tentar negar, mas que os números não
deixam esconder.
A desigualdade
entre brancos e negros é histórica.
Todos sabem que com o fim da escravidão,
os negros deixaram a senzala para a favela, sem
direito a um pedaço de terra, um salário
ou qualquer indenização. Diferente
dos brancos imigrantes que chegavam já
remunerados e com direito a uma parte da produção.
Essa diferença
histórica faz com que mesmo o negro pobre
esteja numa condição ainda inferior
a do branco da mesma classe social, porque lhe
falta a oportunidade do emprego ou da promoção
no trabalho, quando se está sujeito a uma
seleção. Os dados da Pesquisa de
Emprego e Desemprego divulgados recentemente pela
Fundação Seade, que analisou a situação
da população negra no mercado de
trabalho na Região Metropolitana de São
Paulo, entre outubro de 2006 e 2007, apontam uma
triste diferença em todos os setores.
Na indústria
são 34,8%, no comércio 33,8% e em
serviços 31.6%. Num país onde a
maioria da população é composta
por negros e afro-descendentes vemos uma grande
discrepância que fica pior ainda quando
comparamos com segmentos onde o estudo não
conta ou atividade braçal é maior:
os negros são maioria. Nos serviços
domésticos 54,9% e na construção
civil 49,4%.
Se buscarmos em
cargos de chefia o negro será um percentual
muito menor e, em relação a média
salarial, o negro tem uma média de R$752,00
contra a média do não-negro de R$1.346,00.
Negro e branco, no mesmo cargo, têm remuneração
diferente, recebendo o primeiro R$10,00 por hora
enquanto o branco, R$17,80.
Esse preconceito
velado está desmascarado e somente poderá
ter fim com ações públicas
que, propiciem o acesso à Educação
gratuita de qualidade ao mesmo tempo em que os
empresários, que podem fazer a diferença,
tomem consciência de que devem dar condições
iguais para todos os trabalhadores, sem distinção
de raça ou sexo.
*Haifa Madi
é deputada estadual e coordenadora do PDT
no Litoral Paulista
e-mail: haifamadi@al.sp.gov.br
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