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Os
jovens, a família e a violência
A
violência não tem uma raiz biológica
é um fenômeno construído pela
sociedade e, por isso, pode e deve ser desconstruído.
Existem várias formas de violência:
física, psicológica, sexual ou mesmo
a negligência ou o abandono. Além
de sofrer com este mal em sua própria família,
a criança ou jovem está sujeito
a violência na escola ou no bairro em que
vive.
Todos
sabem que o ser humano tende a reproduzir o meio,
principalmente, se convive com situações
negativas no início da infância.
Alguns pesquisadores relacionam a juventude com
a violência e a mídia explora massivamente
esse tipo de ocorrência, geralmente, sentenciando
a nova geração e dando pouca importância
ao papel de quem os educou.
O
jovem de hoje é fruto da permissividade,
do autoritarismo ou do abandono da família
que, em algum momento, dele se distanciou, ignorando
que educar é dar limite. Muito mais difícil
do que permitir, como a maioria dos pais faz,
é deixar que o jovem possa tudo sem nunca
ouvir um não.
O
início da adolescência ocorre por
volta dos 12 anos e o jovem ainda não tem
suporte emocional para usufruir da liberdade sem
nenhum tipo de controle, num mundo em que a violência
urbana, a erotização da mídia,
o consumismo, a oportunidade de obter dinheiro
fácil, o acesso ao álcool e às
drogas seduzem muito mais do que o respeito à
vida, à solidariedade e o amor ao próximo.
A
liberdade deve ser conquistada com demonstrações
de maturidade e responsabilidade, uma vez que
a adolescência é marcada por profundas
transformações nas quais se entrelaçam
processos de amadurecimento físico, mental,
emocional, social e moral, que são influenciados
pelas peculiaridades inerentes a cada sujeito,
pelo seu ambiente sociocultural e pelo momento
histórico.
Para
superar essa “crise”, surge a necessidade
de integrar um grupo. É nesse momento que
os pais devem estar atentos porque, na maioria
das vezes, os pais da turma nem se conhecem e
perdem a oportunidade de combinarem regras comuns.
É
em grupo que o jovem pode se tornar intolerante
e cruel na exclusão dos outros, os que
são diferentes, como se fosse uma defesa
a sua perda de identidade. Os conflitos geram
agressões mútuas por motivos banais,
que escondem uma enorme fragilidade e por serem
frágeis estão mais vulneráveis
aos riscos dos excessos.
O
jovem precisa aprender a canalizar essa grande
energia para ações construtivas,
tomando em suas mãos o poder da transformação
social, ao lado da família, da escola,
na figura do educador, da Justiça e do
Estado. E o ambiente escolar deve contribuir para
estimular essas ações seja por intermédio
dos grêmios estudantis ou da própria
instituição.
A
sociedade, da qual cada um de nós faz parte
(com nossos exemplos e ações), também
contribuí, dia a dia, para essa aprendizagem.
Por isso, devemos sempre nos questionar sobre
qual exemplo estamos dando aos nossos filhos e
a nossa comunidade.
Haifa
Madi é deputada estadual, coordenadora
do PDT no Litoral Paulista e mãe de três
jovens |