Dia Mundial de Combate à Gravidez na Adolescência


O dia 26 de setembro deve ser lembrado como um alerta para os jovens: é o dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência, que neste ano traz o tema “Sua Vida Sua Voz”. A data é promovida por organizações não governamentais e sociedades médicas internacionais em mais de 70 países da Europa, América Latina e Ásia.

A medida é necessária para discutirmos essa questão com toda a sociedade, uma vez que é um problema mundial de saúde pública que atinge principalmente a classe social mais carente e de menor escolaridade. Estima-se que de 20% a 25% do total de mulheres gestantes sejam adolescentes. Registra-se com isso, uma média anual no Estado de São Paulo superior a 100 mil casos de gravidez precoce atendidas pelo SUS, em hospitais públicos ou filantrópicos. Após o parto não há conhecimento algum do destino dessas mães e das crianças. Este quadro precisa ser revertido o mais rápido possível evitando conseqüências desastrosas para a sociedade.

Além dos riscos biológicos para a mãe e para a criança, a gravidez na adolescência também traz transtornos emocionais e econômicos para os núcleos familiares onde ela ocorre. A interrupção do processo de formação do indivíduo _ que é obrigado a deixar a escola e é excluído do mercado de trabalho _ e a falta de apoio da família e dos amigos, são alguns dos dilemas que os adolescentes são obrigados a enfrentar quando se vêem à espera de um filho não planejado. Embora em algumas cidades os casos tenham diminuídos, ajudando a puxar os indicadores para baixo, os números em todo o país ainda são altos.

Uma ação estratégica para combater esse problema em nosso Estado foi criada por intermédio da lei 12.732/2007, de minha autoria, que já foi sancionada e aguarda a regulamentação do governo estadual, que institui um Programa de Orientação em Saúde e Atendimento Social à Gravidez Precoce e Juvenil destinado as Crianças, Adolescentes e Jovens Gestantes. O objetivo é dar orientação sobre saúde da mulher e da criança, direitos e outros assuntos de interesse às gestantes e seus familiares concomitantemente ao acompanhamento médico regular nas unidades do Sistema Único de Saúde – SUS que realizarão o encaminhamento social das gestantes e mães atendidas em órgãos e entidades coligadas ao programa, para o suprimento de necessidades básicas de alimentação, moradia, educação, instrução profissional, emprego e outros.

A nova lei torna obrigatório o cadastro de crianças, adolescentes e jovens em estado de gestação que utilizem o atendimento do SUS em unidades hospitalares. O arquivamento de prontuários individualizados em que constem dados pessoais, econômicos, escolaridade, condições de moradia e de saúde física e mental das jovens mães. Dessa forma, o governo poderá alimentar um banco de dados que auxiliará a realização de estudos estatísticos e o encaminhamento social das gestantes aos projetos voltados à educação, instrução profissional, assistência social e outros.

É fundamental que cada Prefeitura adéqüe-se a nova lei para que, em breve, possamos garantir um futuro seguro para nossas crianças e jovens, a partir do planejamento familiar, e que além do acesso a informação e orientação em saúde, nossos jovens possam ter o apoio não só dos setores públicos, mas dentro de suas próprias famílias, uma vez que o seio familiar é fundamental para garantir um desenvolvimento físico e emocional saudável a todo ser humano.


Haifa Madi é deputada estadual PDT-SP

 

 
 
   
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