Mais de 300 dias sem a Maternidade Ana Parteira

Como em todas as coisas da vida, podemos usar as nossas decisões políticas para fazer o bem para a população. Foi pensando desta forma que me empenhei para conseguir R$1,5 milhão do governo do Estado para equipar, com o que havia de mais moderno, a sonhada Maternidade Ana Parteira, em junho de 2008, no município de Guarujá.

A administração municipal, na época gerida pelo prefeito Farid Madi, sabia que essa medida seria muito importante para desafogar o Hospital Santo Amaro, único com atendimento pelo SUS na cidade, e que garantiria um hospital voltado para a saúde da mulher, desde exames e pequenas cirurgias até o parto humanizado. O complexo contava com pronto-socorro, maternidade e hospital, dois consultórios médicos e um centro cirúrgico, composto por três salas de cirurgia e duas de parto humanizado. Eram 25 leitos com previsão de ampliação para 50, almoxarifado, além da futura criação de uma lavanderia.

Se os números falam por si só, o hospital garantiu, em oito meses de funcionamento, o parto mensal de 40 mães em média e sem nenhum óbito. O objetivo era reduzir a mortalidade materno-infantil, instituir o parto humanizado e ampliar as cirurgias ginecológicas e o serviço de planejamento familiar.

Infelizmente, um dos primeiros atos da atual administração da cidade, foi fechar sem aviso algum e de forma bruta, em fevereiro de 2009, a maternidade, transferindo pacientes que acabavam de dar a luz ou de realizar uma cirurgia, sem nada que justificasse a pressa, deixando familiares e pacientes nervosos e revoltados. A promessa era reabri-la em 45 dias, chegamos a quase um ano, com uma reforma cara, que não cumpriu o que prometeu, ou seja, não foi construído um banco de sangue, nem uma UTI Neonatal, alardeados como motivo para que as gestantes corressem risco de morte, contrariando as Casas de Parto, que humanizam o ato de dar a luz em todo o mundo e que também não contam com esses recursos que podem em caso de necessidade serem conseguidos no Hospital Santo Amaro.

Desde outubro de 2009 a Maternidade está reformada, cerca de R$1 milhão foram gastos para nova pintura, novo piso, mas com os mesmos equipamentos que contava quando foi fechada. A capacidade dos leitos foi dobrada, conforme previsto, no entanto, continuam novos e vazios, enquanto a população sofre com a falta de vagas no único hospital da cidade que atende 90% SUS, para uma população de 300 mil habitantes em média. Guarujá vive o caos na área da Saúde, com pessoas tendo que fazer boletim de ocorrência para conseguir uma internação e outras morrendo enquanto esperam vagas no PAM.

Não somos contra melhorias, ampliações e novos serviços na Maternidade Ana Parteira, mas não podemos nos calar vendo que a população precisa desta maternidade, que os equipamentos, por falta de uso podem estragar, e que os prazos não foram cumpridos demonstrando total desrespeito com a população


Haifa Madi é deputada estadual PDT-SP

 

 
 
   
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